É possível prevenir o envelhecimento?

Um estudo da The Lancet avaliou a importância do comprimento dos telômeros na longevidade do ser humano em um grupo de pessoas acima de 60 anos e descobriu que: aqueles com telômeros mais curtos tinham uma taxa de mortalidade por doenças cardíacas 3,18 vezes maior, e uma taxa de mortalidade por doenças infecciosas 8,54 vezes maior, do que aqueles com telômeros mais longos.

Os telômeros na longevidade

O que são telômeros?

Os Telômeros são constituídos por uma sequência de DNA e contém dentro dele a chave do processo de envelhecimento biológico. Quando os telômeros atingem um comprimento criticamente curto, impedem as replicações celulares, levando ao envelhecimento da célula. Durante o processo de envelhecimento, as células vão perdendo gradativamente a capacidade de manter a integridade do funcionamento dos diversos órgãos que compõem o corpo humano, e ficam predispostas para morrer. Portanto, a medição do comprimento dos telômeros pode ser um biomarcador do envelhecimento celular.

Muitos estudos vêm demonstrando a existência de uma grande variedade de gatilhos que aceleram o encurtamento dos telômeros, como o estresse oxidativo, inflamação e a obesidade.

Telômeros mais curtos são encontrados em pessoas portadoras de doenças degenerativas relacionadas à idade, como doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, diabetes mellitus e osteoporose.

Células saudáveis contêm naturalmente uma enzima chamada de telomerase, que ajuda a manter a integridade e o comprimento dos telômeros.

Como manter a juventude e alcançar uma longevidade saudável?

Preservando o comprimento dos telômeros

Nos últimos anos, os cientistas têm acumulado um impressionante conjunto de evidências do que pode auxiliar a manter o comprimento dos telômeros saudável. Há evidências intrigantes demonstrando que as vitaminas podem preservar o comprimento dos telômeros e manter as células mais jovens.

Os telômeros na longevidade

Vitaminas do Complexo B

As vitaminas do complexo B, especialmente B6, B9 e B12, são fatores essenciais para o metabolismo das moléculas que compõem o DNA e para uma replicação celular normal. Baixos níveis de vitaminas do complexo B são comuns no envelhecimento e estão intimamente associadas ao risco de desenvolvimento de doenças relacionadas à idade.

A Homocisteína é um marcador sanguíneo que está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, e a saúde vascular em geral.

As vitaminas B6, B9 e B12, são necessárias para o metabolismo normal da homocisteína, que se acumula ou baixa quando uma dessas vitaminas ficam deficientes. A homocisteína alta ou baixa está intimamente associada ao encurtamento prematuro dos telômeros e conduz a um envelhecimento celular acelerado.

Vitamina D

A Vitamina D é uma das vitaminas mais importantes e abrangentes. Todas as células do corpo humano tem receptores de Vit.D, o que sugere que mais funções esperam para serem descobertas em futuro bem próximo.

A Vitamina D é essencial para o perfeito funcionamento do cérebro, coração, ossos e sistema imunológico, e ainda nos protege contra o câncer.  Veja o nosso artigo sobre a vitamina D.

Recentemente, foi encontrada uma relação entre Vit.D e DNA. Ela desempenha uma função importante: preservação do comprimento dos telômeros. Níveis mais altos de Vit.D têm sido associados a telômeros mais longos. Por exemplo, pacientes em hemodiálise tratados com Vitamina D tem telômeros mais longos do que pacientes não tratados.

Um estudo mais amplo, mostrou que a suplementação de 2000 UI/dia de Vit.D – em um grupo de americanos com sobrepeso, aumentou a atividade da telomerase em 19%. Esta constatação sugere que a Vit.D desempenha um importante papel na preservação do comprimento dos telômeros, reduzindo o ritmo do envelhecimento.

Vitamina C

Estudos recentes sobre a Vitamina C demonstram que ela pode reduzir o encurtamento dos telômeros em até 62%. A Vit.C aumentou significativamente o tempo de vida das células e reduziu várias alterações físicas associadas ao processo de envelhecimento. Este resultado foi associado a reduções drásticas nos níveis de radicais livres nas céulas.

A Vit.C retardou o envelhecimento cardiovascular, ao preservar o comprimento dos telômeros em culturas de células de músculo cardíaco humano.

Uma demonstração dramática da importância da Vitamina C na desaceleração do envelhecimento foi fornecido por um estudo de modelo celular da Síndrome de Werner. Uma desordem que provoca um envelhecimento prematuro. Após numerosos estudos, ficou evidente a sua capacidade da Vit.C de retardar ou reverter o envelhecimento acelerado.

Em num modelo de rato com Síndrome de Werner, a Vit.C retardou o envelhecimento e a morte celular prematura, alterando a expressão de genes envolvidos na manutenção da integridade do DNA.

Os cientistas identificarem a Vitamina C como o “Resgate mais eficiente para muitas características do envelhecimento precoce das células”. As células tratadas tinham telômeros mais longos, redução da secreção de citocinas inflamatórias e melhora da integridade dos núcleos celulares, características comuns de células mais jovens.

Vitamina E

A Vitamina E existe nas formas Tocoferol e Tocotrienol. O Alfa-tocoferol, uma das formas mais bem estudados da Vit.E, reduz drasticamente o encurtamento do telómero e alterações relacionadas ao envelhecimento, mesmo na presença de moléculas fortemente oxidantes, como o peróxido de hidrogênio. A Vit.E  aumenta os níveis de telomerase que preserva, por sua vez, o encurtamento dos telômeros.

Resultados semelhantes foram mostrados nas células tratadas com gama-tocotrienol, que não só impediu o encurtamento dos telômeros, mas também aumentaram a viabilidade das células mais velhas em cultura.

Outra descoberta importante: a incubação de células humanas envelhecidas com uma formulação rica em tocotrienol, inverteu as mudanças estruturais induzidas pelo envelhecimento das células até o ponto delas se assemelharem às células mais jovens, com menos danos no DNA, e mais células prontas para uma replicação saudável. Novamente, os efeitos foram atribuídos ao aumento da atividade da telomerase.

ÓLEO DE PEIXEÔMEGA-3 (EPA e DHA)

ESTIMULA O COMPRIMENTO DOS TELÔMEROS

Os telômeros na longevidade

Um estudo, mediu o comprimento dos telômeros em humanos em uso de suplemento de óleo de peixe. Os resultados mostraram que a redução de gordura ÔMEGA-6, juntamente com o aumento ÔMEGA-3, resultou em um aumento do comprimentos dos telômeros. Neste estudo, os cientistas usaram de 1.250 a 2.500mg/dia de Óleo de Peixe, ricos em EPA e DHA.

Os cientistas atribuíram esse aumento do comprimento dos telômeros à redução de citocinas inflamatórias e estresse oxidativo provocadas por maiores níveis de ÔMEGA-3, em relação aos níveis de citocinas pró-inflamatórios estimuladas pelo ÔMEGA-6.

Aumente o consumo de ÔMEGA-3: Peixes de água fria, nozes e sementes de linho.

Reduza o consumo de ÔMEGA-6: gorduras provenientes de milho, soja, canola, girassol e óleo de cártamo, juntamente com o ácido araquidônico encontrado na gema do ovo e carnes. Azeite de oliva é rico em gorduras monoinsaturadas, e um bom substituto para as gorduras ricas em Ômega-6.

CAROTENOIDES TAMBÉM ESTIMULAM O COMPRIMENTO DOS TELÔMEROS 

Os telômeros na longevidade

Os carotenoides são moléculas de pigmento amarelo, alaranjado e vermelho, presentes em vários alimentos, como: cenoura, abóbora, mamão, pimentão, tomate, etc. Os carotenoides são potentes antioxidantes e precursores da Vitamina A.

Estudos mostram que pessoas idosas com níveis sanguíneos mais elevados de carotenoides, luteína e zeaxantina, têm telômeros significativamente mais longos do que aqueles com níveis mais baixos.

Em pessoas acima de 20 anos, a duplicação dos níveis sanguíneos de Alfa-caroteno, Beta-caroteno e Beta-criptoxantina foi associada a telômeros mais longos. Aqueles com níveis mais altos de carotenóides tinham telômeros 5% a 8% mais longo do que aqueles na categoria mais baixa.

A ingestão de carotenoides está intimamente associada com telômeros mais longos, embora este efeito possa depender, em certa medida, de fatores genéticos relacionados com o metabolismo caroteno.

Artigo do Dr. Frederico Pretti.


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Postado em 25 de novembro de 2016, por  
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  1. MARILEA ABDO

    BOA TARDE,
    MUITO INTERESSANTE ESSE ARTIGO.
    ABRACOS E FELIZ 2017.
    MARILEA

    29 de dezembro de 2016 @ 16:17

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