Nutrição, evolução e doenças degenerativas

ARTIGO: NUTRIÇÃO, EVOLUÇÃO E DOENÇAS DEGENERATIVAS

Dr.Frederico Pretti

Três antropologistas norte-americanos docentes no departamento de antropologia da Emory University, em Atlanta e com valiosas obras já publicadas (1), analisaram o aspecto expressivo da situação do genoma humano perante as condições atuais de vida (2). Deve ser ressaltado que a concepção patogênica apresentada está amparada pela alta categoria dos autores.

Em síntese (3), admitem que o patrimônio genético da humanidade, herdado de nossos antepassados, deve ter pouco se alterado em milhares de anos de evolução. Pôr outra, nosso estado cultural modificou-se profundamente, particular desde os últimos 10.000 anos, época que marca o advento da agricultura. Neste período introduziram-se inúmeros fatores (modificados nutricionais, não regularidade de exercício, exposição a substâncias nocivas como fumo e álcool, considerado uma droga anti-cerebral) que caracterizam o tipo de vida atual. Como o estado de saúde de cada pessoa é influenciado pela interação entre seu estado bioquímico geneticamente controlado e o conjunto de fatores ambientais, ocorre, no momento, uma discordância entre nossa situação biológica, ainda comparável à do passado determinadas condições ligadas ao presente estilo de vida. Tudo sugere, portanto, em certos aspectos importantes o genoma coletivo humano se apresenta pobremente adequado para a vida moderna.

Essa discordância não exterioriza má adaptação em termos da clássica ciência da evolução, não afetado a fertilidade. Ela pode acentuar, entretanto, a significação de fatores nocivos e promover a ocorrência de “moléstias degenerativas da civilização moderna” (aterosclerose, hipertensão arterial essencial, diabetes mellitus, certos tipos de câncer ) que em conjunto, são responsáveis pôr cerca de 75% das mortes ocorridas nas nações ocidentais. Do ponto de vista genético, os homens atuais ainda se comparam aos caçadores-colhedores da fase pré-agricola do paleolítico tardio.Como disse um comentador: “possuímos corpos da idade da pedra em plena era atômica”.

Em apoio de sua concepção, os autores citam o estado de saúde de povos atuais que ainda conservam hábitos muito primitivos e, portanto, não são muito distantes dos de nossos ancestrais. Nestes grupos, a incidência de morte é relativamente elevada, mas deve-se em sua quase totalidade à violência, aos traumas e, eventualmente, a processos infecciosos vindos de fora.

Em verdade, duas ocorrências são observadas nessas comunidades étnicas. Em indivíduos jovens, mortos pôr acidentes, as necrópcias não evidenciam as “doenças de civilização”mencionadas acima, ao contrario do que observado nas populações com hábitos modernos, nas quais, como se sabe, estado de aterosclerose são freqüentes, já nas primeiras décadas de vida. Por outra, a longevidade não é habitual nos agrupamentos ainda próximo ao primitivo, mas em contra partida a observação clínica de indivíduos que ultrapassam os 60 anos revela que pequena prevalência de hipertensão arterial, de aterosclerose e de diabetes mellitus. E o exame anatomopatológico demonstra baixa incidência de alterações das coronárias. Diante dessa ocorrência, alguns comentários são pertinentes. E me aventuro a eles com prudência, uma vez que se trata de avançar sobre territórios ainda um tanto obscuros

• Desde que abandonou a vida primitiva o homem modificou intensamente o ambiente em que vive, especialmente seu padrão nutricional. Entre o nosso padrão genético herdado de nossos antepassados e as condições atuais de vida há uma discordância marcante e nociva. Responsável pelas doenças crônicas e degenerativas da civilização moderna.

• A doença de Parkinson é uma doença degenerativa de caráter continuo e progressivo, que surge em conseqüência da morte de neurônios (células nervosas) de uma região cerebral chamada substância negra e à falta de dopamina, um neurotransmissor. Ainda não é conhecida a causa da DP, mas a hipótese mais aceita sugere que a DP resulte de uma combinação de um fator ambiental com uma pré-disposição genética. Portanto a DP bem se enquadra dentro da primeira consideração.

• avanço no estudo do envelhecimento celular (“degeneração “) vem ressaltando a importância dos radicais livres ( espécies tóxicos derivadas do oxigênio ) na gênese do envelhecimento celular e das doenças degenerativas da civilização moderna. Sabe-se que, o olho e o cérebro, por serem tecidos com alto grau de metabolismo oxidativo, requerem uma maior concentração de oxigênio, logo, estão também mais sujeitos a uma maior formação de radicais livres e suas conseqüências. Quando os sistemas fisiológicos anti-radicais livres (enzimas específicos e captadores de RL) são superados os RL podem afetar as membranas, as proteínas e os ácidos nucléicos, desencadeando assim o seu poder patogênico. 70% da eficácia dos sistema anti-RL estão na dependência de hábitos de vida saudáveis: sono com qualidade e quantidade adequado. Atividade física leve a moderada, diminuição do nível de stress, melhor relação de prazer com a vida e uma dieta inteligente (veja Fig. 1) capaz de fornecer um maior teor de vitaminas, minerais e fibras Assis como menor teor de produtos de origem animal, ricos em um tipo de gordura-saturada nociva quando em excesso à espécie humana.

• Apesar de evidencias dúvidas e da probabilidade de variações locais, a comparação da dieta do homem primitivo com a do homem moderno, em certos aspectos podem ser admitidos com lógica e já foram anteriormente analisados pôr dois investigadores (1-4) (veja Fig.2). Alguns pesquisadores acreditam que as doenças degenerativas aumentam na civilização moderna em decorrência do aumento da sobrevida-média atual. Porem as Pesquisas com o genoma-humano deixa evidente que temos uma prorrogação genética que permite vivermos de 120 a150 anos e o que é importante: com mais saúde e dignidade.

• É necessário revermos as conseqüências do uso do fogo-calor no procedimento dos alimentos, principalmente depois dos estudos do Dr. Francis pottenger, durou dez anos, e acompanhou mais de novecentos gatos até a sua quarta geração, ter evidenciado que todos os grupos alimentados com alimentos preparados pelo calor tiveram um padrão de doença degenerativa semelhante àquele encontrado na espécie humana (5)

• Esse panorama permite algumas considerações finais. Embora não haja nenhum estudo comprovado a eficácia de alguma dieta específica na melhora da doença de Parkinson. Não há mais dúvida quanto a importância da nutrição e dos hábitos de vida na saúde e longevidade da espécie humana, assim como não há mais dúvida quanto a estreita relação entre nutrição, hábitos de vida e o padrão de doenças degenerativas da civilização moderna.

Artigo Publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Bimolecular

Referências:

Eaton SB, Konner M. Bhostak M. – Stone agers in the fast laclaronic degenerative disease in evolutionaryprspective. A . Med. 84:730, 1988
Roberts WC – Stone agers in the atomic age: Lessons from paleolithic life style for moderm man Am J. Cardiol. 61:1365,19.
Décourt V. Luiz. Padrão genetico do homem do paleolitico e condições atuais de vida – uma discordância nociva. Arq. Bras. Cardiol., 52/6:297-300, junho-1989.
Eaton SB, Konner M.- Paleolithic nutrition, . A consideral of its nature and current implication. N. Engl J. Med. 312: 1985.
Pottenger Jr.. FRANCIS M. Pottengenr cats – a study in nutrition. Price-Pottenger Nutrition Foudation Inc. La Mesa, California. Edition of 1983.
Sibley CG. Ahlquist je – the phylogeny of the hominoid printes, as indicated by DNA DNA hybridization. J Mol. Evol. 26:1984.
Leakey RE. Lewin R. – O berço da humanidade . In Origens. São Paulo, Comp. Melhoramentos/ Editora Univ. Brasilia, 1, p . 79.
Pilbeam D. – The descent of hominolds and hominids, Sci, 250:60,1984.
Monod J. – Le Hasard et la Nécessité. Essaf sur la Philoso; naturelle de la Biologie Moderne, Paris, Éditions du Seull, 1, p. 177.


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Postado em 17 de agosto de 2010, por  
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